Cofres públicos: quanto entra e quanto sai
O dinheiro que entra nos cofres da União e o que sai em pagamentos, nos mesmos meses, com a dívida pública separada dos dois lados. A diferença entre as duas contas não é o resultado do governo (veja por quê). Os detalhes estão nos painéis de receitas, de despesas e do orçamento.
De janeiro a agosto de 2026, entraram R$ 4,0 trilhões nos cofres da União e saíram R$ 3,8 trilhões em pagamentos do orçamento do ano. Do que entrou, 48% (R$ 1,9 trilhão) vieram de impostos e contribuições e 41% (R$ 1,6 trilhão) de empréstimos, a venda de títulos da dívida pública. Do que saiu, 48% (R$ 1,8 trilhão) foram para a própria dívida: R$ 415,8 bilhões em juros e R$ 1,4 trilhão em amortização. Fora a dívida, os pagamentos somaram R$ 2,0 trilhões, perto do valor do mesmo período de 2025 (variação de menos de 3%). Impostos e contribuições renderam 11% a mais que no mesmo período de 2025, em valores nominais.
Impostos e contribuições (2026 até agosto)
R$ 1,9 tri
Empréstimos (títulos da dívida)
R$ 1,6 tri
Pagos à dívida (juros e amortização)
R$ 1,8 tri
Pagamentos fora da dívida
R$ 2,0 tri
De onde veio o dinheiro (2026 até agosto)
| Origem | Entrou | Do total |
|---|---|---|
| Impostos e contribuições | R$ 1,9 tri | 48% |
| Empréstimos (títulos da dívida) | R$ 1,6 tri | 41% |
| Outras receitas | R$ 450,2 bi | 11% |
| Total | R$ 4,0 tri | 100% |
Para onde foi (2026 até agosto)
Benefícios, repasses e custeio reúne as aposentadorias e pensões do INSS, o BPC, o Bolsa Família, os repasses obrigatórios a estados e municípios (como o FPM e o FPE) e o funcionamento dos órgãos.Pessoal reúne os salários, aposentadorias e pensões dos servidores civis e militares.Inversões financeiras são empréstimos que o governo concede e participações em fundos e empresas, como os financiamentos do BNDES e dos fundos regionais e o financiamento estudantil.Amortização da dívida inclui a rolagem: títulos que vencem pagos com títulos novos.
Além disso, a União pagou R$ 230,2 bi de despesas de orçamentos de anos anteriores (restos a pagar), que ficam fora das contas acima. Boa parte é a folha de dezembro do ano anterior, paga em janeiro; por isso o grupo "Pessoal" acima não inclui a folha de dezembro.
Por que a diferença não é o resultado do governo
Subtrair o que saiu do que entrou não diz se o governo fechou no azul ou no vermelho. Perto de metade de cada conta é a própria dívida: quando um título vence, o Tesouro costuma pagá-lo com o dinheiro de títulos novos, e as duas pontas aparecem aqui, uma como empréstimo, outra como amortização.
Tirar a dívida dos dois lados também não chega ao número oficial, que exclui ainda outras receitas e despesas financeiras e conta os restos a pagar. O número que responde a essa pergunta é o resultado primário do Governo Central, que deixa de fora os juros e as operações com a dívida. O Tesouro Nacional o calcula com metodologia própria e o publica todo mês no Resultado do Tesouro Nacional.
O ano de 2025 inteiro
Em 2025, entraram R$ 5,6 trilhões nos cofres da União e saíram R$ 5,1 trilhões em pagamentos do orçamento do ano. Do que entrou, 46% (R$ 2,6 trilhões) vieram de impostos e contribuições e 44% (R$ 2,5 trilhões) de empréstimos, a venda de títulos da dívida pública. Do que saiu, 42% (R$ 2,2 trilhões) foram para a própria dívida: R$ 372,7 bilhões em juros e R$ 1,8 trilhão em amortização. Fora a dívida, os pagamentos somaram R$ 3,0 trilhões, 20% a mais que em 2024. Impostos e contribuições renderam 9,0% a mais que em 2024, em valores nominais.
| Origem | Entrou | Do total |
|---|---|---|
| Impostos e contribuições | R$ 2,6 tri | 46% |
| Empréstimos (títulos da dívida) | R$ 2,5 tri | 44% |
| Outras receitas | R$ 583,5 bi | 10% |
| Total | R$ 5,6 tri | 100% |
| Grupo de despesa | Pago | Do total |
|---|---|---|
| Benefícios, repasses e custeio | R$ 2,4 tri | 47% |
| Amortização da dívida | R$ 1,8 tri | 35% |
| Juros da dívida | R$ 372,7 bi | 7,2% |
| Pessoal | R$ 347,2 bi | 6,7% |
| Inversões financeiras | R$ 182,5 bi | 3,5% |
| Investimentos | R$ 39,6 bi | 0,8% |
| Total | R$ 5,1 tri | 100% |
Além disso, a União pagou R$ 226,2 bi de despesas de orçamentos de anos anteriores (restos a pagar), que ficam fora das contas acima. Boa parte é a folha de dezembro do ano anterior, paga em janeiro; por isso o grupo "Pessoal" acima não inclui a folha de dezembro.
Valores nominais, sem correção pela inflação. Pagamentos são o valor pago do orçamento do próprio ano. O mês mais recente das receitas ainda está em lançamento e entra só no mês seguinte; por isso as duas contas param no mesmo mês, e o painel de despesas pode mostrar um mês a mais.
Fonte: Portal da Transparência (CGU), arquivos de receitas e de execução da despesa. Receitas carregadas em 06/10/2026; despesas em 06/11/2026.