Despesas públicas
Tudo o que o governo federal gasta passa pelo orçamento e é registrado em etapas. Entender essas etapas e as classificações do gasto é o que separa uma leitura correta de um número assustador fora de contexto.
Ver o painel com os números mais recentes · Comparar órgãos
Empenho, liquidação e pagamento
A Lei nº 4.320/1964 divide a execução de uma despesa em três estágios. O empenho reserva o dinheiro do orçamento para um gasto específico. A liquidação confirma que o bem foi entregue ou o serviço prestado. O pagamento é a saída do dinheiro. Um valor empenhado ainda não foi gasto: pode ser cancelado ou ficar para o ano seguinte.
O que foi empenhado e não pago até o fim do ano vira restos a pagar, e é pago nos anos seguintes. Neste site, "valor pago" é o pago do orçamento do próprio ano; restos a pagar de anos anteriores aparecem à parte, para não misturar orçamentos.
Por que o total é tão grande
O gasto federal passa de R$ 5 trilhões por ano, mas cerca de 40% disso não é custeio da máquina nem serviço prestado à população: é serviço da dívida pública — juros e, principalmente, amortização, que inclui a troca de títulos que vencem por títulos novos. No orçamento, a dívida aparece na função encargos especiais, que reúne despesas que não se ligam a um serviço específico, como a própria dívida e transferências a estados e municípios — juntas, mais da metade do total.
Por isso, quando este site compara a composição do gasto de um órgão com a do governo, ele tira a dívida da conta. Sem isso, qualquer ministério pareceria gastar demais com pessoal.
As classificações que aparecem nas páginas
- Órgão: quem gasta — em geral, o ministério e as entidades ligadas a ele.
- Função: a área do gasto, como saúde, educação, previdência ou defesa.
- Programa: o objetivo de governo ao qual o gasto está ligado no plano plurianual.
- Grupo de despesa: a natureza do gasto — pessoal e encargos sociais, outras despesas correntes (custeio: contas, contratos, benefícios), investimentos (obras e equipamentos), inversões financeiras, juros e amortização da dívida.
Como comparar órgãos
O órgão que mais paga quase sempre é o que concentra a dívida ou a previdência, não o que mais "gasta" no sentido comum. Comparações úteis olham para a composição — quanto vai para pessoal, para custeio, para investimento — e para a variação em relação ao mesmo período do ano anterior. Como o ano corrente ainda não terminou, compará-lo com o ano anterior inteiro sempre daria queda; as páginas comparam os mesmos meses.
De onde vêm os dados
Dos arquivos mensais de execução da despesa publicados pela Controladoria-Geral da União no Portal da Transparência, que trazem, para cada órgão e classificação, os valores empenhados, liquidados e pagos no mês. Mais detalhes na metodologia.
Última revisão: 30/09/2026.