Análise · 2013 a 2025

Cartão corporativo do governo federal, de 2013 a 2025

O gasto dobrou de 2021 a 2025, para R$ 122,3 milhões. Cerca de metade é sigilosa todo ano, quase toda na Presidência e no Ministério da Justiça.

Por Equipe Cofre Público · publicada em

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Em 2025, os órgãos federais gastaram R$ 122,3 milhões com o cartão de pagamento do governo federal, o cartão corporativo usado por servidores em compras pequenas, viagens e despesas que não esperam licitação. Em 2021 tinham sido R$ 57,6 milhões: o gasto dobrou em quatro anos, depois de quase uma década parado entre R$ 50 milhões e R$ 65 milhões por ano.

Cartão corporativo do governo federal: gasto por ano
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CategoriaValor
2013R$ 61,8 mi
2014R$ 64,9 mi
2015R$ 56,2 mi
2016R$ 52,0 mi
2017R$ 50,0 mi
2018R$ 52,2 mi
2019R$ 52,3 mi
2020R$ 54,3 mi
2021R$ 57,6 mi
2022R$ 90,3 mi
2023R$ 90,7 mi
2024R$ 111,8 mi
2025R$ 122,3 mi

Nove anos parado, e a alta a partir de 2022

De 2013 a 2021 o gasto variou pouco: o maior valor foi o de 2014, R$ 64,9 milhões, e o menor o de 2017, R$ 50,0 milhões. Em 2022 saltou para R$ 90,3 milhões, 57% a mais que no ano anterior, e seguiu subindo: R$ 111,8 milhões em 2024 e R$ 122,3 milhões em 2025. Parte da alta é inflação: corrigido pelo IPCA, o gasto de 2024 fica perto do de 2013. Em 2022, ano do Censo Demográfico, as unidades do IBGE passaram de R$ 2,8 milhões para R$ 11,2 milhões, cerca de um quarto da alta daquele ano. De 2023 a 2025 o aumento se espalhou por muitos órgãos: o Ministério da Defesa, por exemplo, passou de R$ 4,8 milhões em 2019 para R$ 19,6 milhões em 2025, com as unidades de intendência e logística das Forças Armadas.

Metade é sigilosa, todo ano

Parte das compras com o cartão é publicada sem o favorecido nem o detalhe do gasto, com base na Lei de Acesso à Informação, que permite reservar informações que possam pôr em risco a segurança do presidente, do vice-presidente e de suas famílias, além de investigações e operações de segurança. Essa parte ficou entre 41% e 58% do total em todos os anos da série, sem tendência clara de queda: 47% em 2013, 58% em 2021 e 41% em 2025.

Quase todo o sigilo está em dois órgãos. Em todos os anos, de 96% a 99% do gasto sigiloso é da Presidência da República e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde estão as unidades da Polícia Federal. Na Presidência, o sigilo cobre de 97% a 99% do que o cartão gasta, em todos os governos do período. Nos outros órgãos o sigilo é raro: em 2025, a exceção foi o Ministério da Fazenda, com 31% de R$ 2,9 milhões.

Gasto com o cartão corporativo e parte sigilosa, nos órgãos que mais usaram em 2025
Órgão superior201320192025
Presidência da RepúblicaR$ 18,3 mi (97%)R$ 15,8 mi (98%)R$ 23,1 mi (98%)
Ministério da Justiça e Segurança PúblicaR$ 11,8 mi (93%)R$ 10,7 mi (93%)R$ 35,1 mi (77%)
Ministério da DefesaR$ 4,3 mi (0%)R$ 4,8 mi (0%)R$ 19,6 mi (0%)
Ministério da EducaçãoR$ 6,2 mi (0%)R$ 5,3 mi (0%)R$ 15,0 mi (0%)

Saques em dinheiro

O cartão também permite sacar dinheiro, para despesas em lugares sem pagamento eletrônico. Os saques ficaram entre R$ 4,1 milhões e R$ 10,1 milhões por ano, sem tendência definida: R$ 7,6 milhões em 2013 e R$ 9,3 milhões em 2025.

Cartão corporativo por ano: gasto, parte sigilosa e saques em dinheiro
AnoGastoSigilosoSaques
2013R$ 61,8 mi47%R$ 7,6 mi
2014R$ 64,9 mi53%R$ 7,0 mi
2015R$ 56,2 mi49%R$ 6,7 mi
2016R$ 52,0 mi49%R$ 6,3 mi
2017R$ 50,0 mi44%R$ 7,4 mi
2018R$ 52,2 mi43%R$ 8,1 mi
2019R$ 52,3 mi49%R$ 5,0 mi
2020R$ 54,3 mi55%R$ 4,2 mi
2021R$ 57,6 mi58%R$ 4,1 mi
2022R$ 90,3 mi50%R$ 10,1 mi
2023R$ 90,7 mi49%R$ 8,7 mi
2024R$ 111,8 mi50%R$ 6,2 mi
2025R$ 122,3 mi41%R$ 9,3 mi

O que estes números não dizem

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