Análise · 2014 a 2024

Como as emendas parlamentares cresceram de 2014 a 2024

O empenhado foi de R$ 13,9 bilhões em 2019 para R$ 44,8 bilhões em 2024. A emenda de comissão tomou o lugar da de relator, e a emenda Pix chegou a R$ 7,7 bi.

Por Equipe Cofre Público · publicada em

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Em 2024, deputados, senadores, bancadas estaduais e comissões do Congresso indicaram emendas ao orçamento federal que somaram R$ 44,8 bilhões empenhados, o valor reservado para pagar. Em 2019 tinham sido R$ 13,9 bilhões. Já descontada a inflação do período, o valor ficou 2,4 vezes maior em cinco anos.

Emendas parlamentares: valor empenhado por ano, a preços de 2024 (corrigido pelo IPCA)
Ver como tabela
CategoriaValor
2014R$ 10,7 bi
2015R$ 5,3 bi
2016R$ 38,5 bi
2017R$ 25,3 bi
2018R$ 16,7 bi
2019R$ 18,5 bi
2020R$ 47,9 bi
2021R$ 38,8 bi
2022R$ 27,9 bi
2023R$ 37,1 bi
2024R$ 44,8 bi

O crescimento não foi contínuo. A série tem dois saltos: o de 2020, quando as emendas de relator chegaram a R$ 21,2 bilhões, e o de 2023 e 2024, quando as emendas individuais dobraram e as de comissão cresceram. Os anos de 2014 e 2015 são os de menor valor da série. A tabela no fim do texto traz os valores de cada ano, sem e com a correção.

As emendas individuais dobraram em 2023

Cada deputado e cada senador tem direito a emendas individuais de execução obrigatória, num limite calculado sobre a receita da União. Em 2022 elas somaram R$ 10,7 bilhões; em 2023, R$ 20,9 bilhões, e em 2024, R$ 24,7 bilhões. A mudança veio da Emenda Constitucional nº 126, de dezembro de 2022, que elevou o limite. Dividido pelos 594 parlamentares que indicaram emendas individuais, o valor de 2024 dá, em média, R$ 41,5 milhões para cada um. Em 2019 eram R$ 14,4 milhões, ou R$ 19,2 milhões a preços de 2024.

A emenda de comissão ocupou o lugar da de relator

As emendas de relator, conhecidas como "orçamento secreto" porque não identificavam o parlamentar que pedia o recurso, somaram R$ 21,2 bilhões em 2020, R$ 16,7 bilhões em 2021 e R$ 8,6 bilhões em 2022. Em dezembro de 2022, o Supremo Tribunal Federal declarou esse uso inconstitucional, e elas não aparecem mais a partir de 2023. No mesmo período, as emendas de comissão, que de 2018 a 2022 não passaram de R$ 0,6 bilhão por ano, foram a R$ 6,9 bilhões em 2023 e R$ 11,7 bilhões em 2024. Como nas de relator, o arquivo registra a comissão como autora, e não o parlamentar que indicou o destino.

Valor empenhado por tipo de emenda, de 2019 a 2024 (individuais inclui a transferência especial)
AnoIndividuaisTransferência especialBancadaComissãoRelator
2019R$ 8,5 bi—R$ 4,7 biR$ 0,2 biR$ 0,4 bi
2020R$ 9,2 biR$ 0,6 biR$ 6,5 biR$ 0,6 biR$ 21,2 bi
2021R$ 9,5 biR$ 2,0 biR$ 7,2 bi—R$ 16,7 bi
2022R$ 10,7 biR$ 3,3 biR$ 5,8 biR$ 0,3 biR$ 8,6 bi
2023R$ 20,9 biR$ 7,1 biR$ 7,6 biR$ 6,9 bi—
2024R$ 24,7 biR$ 7,7 biR$ 8,4 biR$ 11,7 bi—

A transferência especial, sem finalidade definida

Desde 2020, parte das emendas individuais pode ir direto para o caixa de estados e municípios, sem convênio e sem projeto definido na origem: é a transferência especial, apelidada de "emenda Pix". Ela começou com R$ 0,6 bilhão em 2020 e chegou a R$ 7,7 bilhões em 2024, 31% das emendas individuais. No orçamento, esse dinheiro entra na função "encargos especiais", e não em saúde ou educação: o uso só aparece depois, nas contas de quem recebeu. Por isso essa função foi de 2% das emendas em 2019 para 18% em 2024.

Metade vai para a saúde

A saúde recebe a maior parte das emendas desde o início da série, e a parte cresceu: 47% em 2015 e 53% em 2024, R$ 23,9 bilhões. Parte disso é regra: metade das emendas individuais tem de ir para ações e serviços de saúde. Urbanismo, que era um quarto das emendas em 2015, ficou com 4% em 2024.

Parte do valor empenhado em emendas, por função de governo
Função201520192024
Saúde47%50%53%
Encargos especiais (transferência especial)—2%18%
Urbanismo25%14%4%
Educação4%10%3%
Desporto e lazer4%2%3%
Agricultura4%5%2%

Empenhar não é pagar

O empenho reserva o dinheiro; o pagamento pode vir no mesmo ano ou nos seguintes, como restos a pagar. Das emendas de 2024, 88% do empenhado já tinha sido pago em novembro de 2026; das de 2022, 94%. Para 2025, ainda em execução, o painel mostra R$ 47,1 bilhões empenhados, mais que em 2024.

Emendas parlamentares: valor empenhado por ano, sem e com correção pela inflação
AnoEmpenhadoA preços de 2024
2014R$ 6,1 biR$ 10,7 bi
2015R$ 3,4 biR$ 5,3 bi
2016R$ 25,9 biR$ 38,5 bi
2017R$ 17,5 biR$ 25,3 bi
2018R$ 12,0 biR$ 16,7 bi
2019R$ 13,9 biR$ 18,5 bi
2020R$ 37,5 biR$ 47,9 bi
2021R$ 33,4 biR$ 38,8 bi
2022R$ 25,5 biR$ 27,9 bi
2023R$ 35,4 biR$ 37,1 bi
2024R$ 44,8 biR$ 44,8 bi

O que estes números não dizem

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