Reforma tributária: o que muda e quando

A reforma tributária aprovada pelo Congresso em 2023 (Emenda Constitucional 132) troca cinco tributos sobre o consumo por três. A troca começa em 2026 e termina em 2033. Esta página explica o que entra, o que sai, o calendário e quem fica com o dinheiro.

O que sai e o que entra

Tributo de hojeQuem cobraNo lugar
PIS e CofinsUniãoCBS (federal)
IPIUniãoZero, exceto na Zona Franca. Imposto Seletivo nos produtos nocivos
ICMSEstadosIBS (estados e municípios)
ISSMunicípiosIBS (estados e municípios)

A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é da União. O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é dividido entre estados e municípios e administrado por um comitê gestor dos dois. Juntos, formam o que os economistas chamam de IVA, um imposto sobre valor agregado: cada empresa da cadeia paga sobre o que vende e abate o imposto que já veio embutido no que comprou. O IBS é cobrado no lugar onde está o comprador. O terceiro tributo, o Imposto Seletivo, recai só sobre produtos que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente.

O calendário

Calendário da reforma (Emenda 132, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, arts. 125 a 129)
AnoO que acontece
2026Ano de teste: CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, abatidos do PIS e da Cofins
2027CBS cobrada de verdade, fim do PIS e da Cofins, IPI a zero (fora a Zona Franca) e início do Imposto Seletivo. IBS simbólico, de 0,1%
2028Igual a 2027
2029ICMS e ISS cobrados a 90% das alíquotas atuais, e o IBS sobe
2030ICMS e ISS a 80%
2031ICMS e ISS a 70%
2032ICMS e ISS a 60%
2033Fim do ICMS e do ISS. Ficam a CBS, o IBS, o Imposto Seletivo e o IPI da Zona Franca

O governo anunciou que vai propor uma emenda à Constituição para manter o IPI sobre os produtos do Imposto Seletivo até que o novo imposto esteja em pleno funcionamento. Se for aprovada, muda a linha de 2027.

A CBS e os tributos que ela substitui

Em 2025, o PIS e a Cofins cobrados sobre o faturamento das empresas arrecadaram R$ 466,6 bilhões (R$ 367,3 bilhões da Cofins e R$ 99,3 bilhões do PIS). A partir de 2027, essa arrecadação passa a vir da CBS, com a ajuda do Imposto Seletivo: a arrecadação estimada do Seletivo entra no cálculo da alíquota de referência da CBS para reduzi-la. Veja as séries em Cofins e PIS/Pasep.

Segundo a imprensa, o Tribunal de Contas da União calculou a alíquota de referência da CBS em 11,3%, em outubro de 2026. O Senado tem até 15 de dezembro para fixá-la. Em 2027 e 2028, a alíquota cobrada é 0,1 ponto menor que a de referência.

Como o PIS e a Cofins, a CBS fica com a União e não é dividida com estados e municípios. A exceção é a CBS paga pelo próprio governo nas suas compras, que fica com quem comprou (Constituição, art. 149-C). Parte da CBS, 18%, vai para o seguro-desemprego e outras ações da previdência, como hoje acontece com o PIS (art. 239).

O IBS e quem fica com ele

Cada estado e cada município fixa a sua alíquota de IBS, e quem compra paga a soma das duas do lugar onde está. Da parte do estado, um quarto vai para os municípios do estado, por critérios como população e educação (Constituição, art. 158, IV). Até 2028 o IBS é só simbólico. A partir de 2029 ele cresce enquanto o ICMS e o ISS diminuem, até substituí-los em 2033.

O que muda para quem compra

Produto por produto, da gasolina ao carro, veja para onde vai o imposto do que você compra.

Cuidados

Fontes: Emenda Constitucional 132/2023. Constituição Federal (arts. 149-C, 156-A, 158, 159, 195 e 239). Lei Complementar 214/2025. Medida Provisória 1.399/2026 (art. 16). Alíquota de referência da CBS: Tribuna PR, 28/10/2026. Proposta de emenda sobre o IPI: Agência Brasil, 5/11/2026. Arrecadação: Portal da Transparência (CGU), arquivo de receitas de 2025.

Última revisão: 05/11/2026.